As autoridades angolanas colocaram sob custódia policial, nesta terça-feira, um indivíduo que se apresentava como líder religioso, acusado da prática de abuso sexual, burla e exercício fraudulento de atividades religiosas. A detenção surge na sequência de uma investigação que ganhou grande repercussão pública após a circulação de imagens chocantes nas redes sociais.
Os vídeos, gravados numa zona costeira, mostram rituais supostamente espirituais realizados numa praia, onde várias mulheres, em busca de ajuda para alcançar o casamento, teriam sido submetidas a atos considerados degradantes e abusivos. As imagens provocaram uma onda de indignação em todo o país, levando as autoridades a agir de forma célere.
De acordo com os dados apurados até ao momento, o suspeito atraía fiéis, maioritariamente mulheres, com promessas de soluções espirituais para problemas conjugais e sentimentais. Sob o pretexto de uma alegada “corrente de libertação”, conduzia as vítimas para áreas isoladas junto ao mar, apresentando o local como espiritualmente purificador.
No espaço escolhido, as mulheres eram convencidas a despir-se parcialmente e a deitar-se na areia, enquanto o acusado alegava estar a cumprir orientações divinas. Segundo a investigação, o indivíduo praticava atos de natureza sexual, afirmando que tais procedimentos eram indispensáveis para a concretização das bênçãos prometidas, nomeadamente o casamento.
As autoridades classificam os atos como manipulação psicológica e espiritual, aproveitando-se da fragilidade emocional das vítimas, muitas delas em situação de desespero ou vulnerabilidade social. Além disso, os investigadores apontam para a exposição pública e humilhação das mulheres como agravantes no processo.
A operação policial culminou com a detenção do suspeito, que enfrenta agora acusações graves, incluindo atos libidinosos, burla qualificada, abuso da confiança e exercício ilegal de práticas religiosas. As autoridades não descartam a possibilidade de existirem outros envolvidos na organização dos rituais.
Representantes de várias confissões religiosas condenaram publicamente o episódio, sublinhando que tais práticas não têm qualquer fundamento bíblico ou doutrinário. Especialistas em direitos humanos reforçaram que a fé não pode, em circunstância alguma, ser utilizada como instrumento para cometer crimes ou violar a dignidade humana.
A Polícia Nacional apelou às pessoas que se considerem vítimas a apresentarem-se às esquadras para colaborar com as investigações, garantindo proteção e confidencialidade. O objetivo, segundo as autoridades, é assegurar que todos os factos sejam devidamente esclarecidos e que os responsáveis sejam levados à justiça.
O detido aguarda agora a sua primeira audição judicial, onde serão aplicadas as medidas de coação adequadas. Paralelamente, as investigações prosseguem para identificar eventuais cúmplices e apurar a extensão total das práticas ilícitas associadas ao caso, que continua a chocar a sociedade angolana.

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