Em Moçambique, adquirir um automóvel importado tornou-se um processo oneroso que vai muito além do preço pago ao vendedor.
Na prática, muitos compradores afirmam que, ao comprar um carro, acabam por pagar quase outro apenas para satisfazer as exigências fiscais do Estado.
Os impostos aplicados no acto da importação são apontados como o principal factor do elevado custo final das viaturas.
Entre taxas aduaneiras, direitos de importação, IVA e outros encargos, o valor inicial do automóvel sofre um aumento significativo.
Esta realidade pesa sobretudo sobre os cidadãos de renda média e baixa.
Para muitos, o sonho de ter um carro próprio transforma-se num fardo financeiro.
Alguns importadores relatam que o valor pago em impostos chega a igualar ou até ultrapassar o preço do veículo adquirido no exterior.
A situação tem gerado descontentamento generalizado entre os consumidores.
Vários cidadãos questionam a justiça do actual sistema fiscal aplicado às viaturas.
Segundo analistas, a política tributária visa aumentar as receitas do Estado.
No entanto, críticos defendem que os encargos excessivos penalizam o cidadão comum.
O impacto é ainda mais sentido por quem importa veículos usados.
Muitos optam por carros em segunda mão para reduzir custos, mas acabam surpreendidos pelas taxas elevadas.
Há casos em que o automóvel permanece retido nas alfândegas por falta de pagamento integral dos impostos.
Isso gera despesas adicionais com armazenamento e multas.
Alguns compradores acabam por desistir da importação, acumulando prejuízos.
O mercado automóvel nacional também é afectado por esta política.
Os preços elevados reduzem o número de compradores.
Consequentemente, concessionárias e vendedores informais enfrentam dificuldades.
Especialistas apontam que o excesso de impostos desestimula a renovação do parque automóvel.
Viaturas antigas continuam a circular por mais tempo nas estradas.
Isso levanta preocupações ambientais e de segurança rodoviária.
Veículos mais antigos tendem a poluir mais e a apresentar falhas mecânicas.
A falta de alternativas acessíveis agrava o problema.
Alguns cidadãos recorrem a esquemas informais para evitar custos elevados.
Esta prática aumenta o risco de irregularidades e fraudes.
As autoridades, por sua vez, reforçam a fiscalização.
O Governo argumenta que os impostos são necessários para o equilíbrio das contas públicas.
Defende ainda que a tributação visa proteger a economia nacional.
Apesar disso, vozes da sociedade civil pedem uma revisão do modelo actual.
Sugerem a redução gradual das taxas de importação.
Outros defendem incentivos para veículos mais económicos e menos poluentes.
Há também propostas para facilitar a importação por particulares.
O debate tem ganho espaço nas redes sociais e nos meios de comunicação.
Muitos cidadãos partilham experiências negativas com o processo de importação.
O sentimento comum é de frustração e impotência.
Enquanto isso, o Estado mantém a política fiscal em vigor.
Não há, até ao momento, anúncios oficiais de mudanças.
A realidade é que, para muitos moçambicanos, comprar um carro continua a ser um luxo.
Um luxo que custa, na prática, o dobro do valor inicial.
Assim, ao adquirir um automóvel, o cidadão sente que paga dois carros.
Um para uso próprio e outro para os cofres do Estado.

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